Origem da Vida
A vida no planeta Terra surgiu há cerca de 3,5 bilhões de anos. Em biologia, a vida é definida como a propriedade que mantém os seres vivos em constante actividade metabólica, fisiológica, bioquímica e genética.
Mas como os seres vivos apareceram? Essa pergunta intrigou a humanidade desde os tempos antigos. Diversas hipóteses foram formuladas ao longo da história, sendo as mais notáveis: a hipótese da abiogénese e a hipótese da biogénese.
A Hipótese da Abiogénese
Também chamada de geração espontânea, a abiogénese foi proposta por Aristóteles há mais de 2.000 anos e perdurou até meados do século XIX. Entre os principais defensores estavam Jean Baptiste Van Helmont, René Descartes, Isaac Newton e John Needham.
A hipótese afirmava que os seres vivos poderiam surgir de matéria bruta (não viva) por meio de uma "força vital" presente nessas substâncias. Segundo essa teoria, se as condições adequadas fossem estabelecidas, a vida surgiria espontaneamente. Por exemplo, acreditava-se que larvas nasciam de carne crua exposta ao ar e que camundongos apareciam ao se envolver uma camisa suja com suor em trigo e deixá-la em um local escuro por 21 dias.
A Hipótese da Biogênese
Em contrapartida, a hipótese da biogénese sustenta que seres vivos só podem surgir a partir de outros seres vivos preexistentes. Entre os defensores dessa teoria estavam Ernest Haeckel, Thomas Henry Huxley, Stanley Miller, Lazzaro Spallanzani, Francesco Redi e Louis Pasteur.
Francesco Redi, em 1668, foi um dos primeiros a contestar a abiogénese. Ele realizou um experimento simples com dois frascos contendo pedaços de carne: um frasco foi fechado com gaze, enquanto o outro permaneceu aberto. No frasco aberto, surgiram larvas, enquanto no fechado não. Redi concluiu que as larvas eram geradas pelas moscas, e não pela carne em si.
Embora Redi tenha enfraquecido a teoria da abiogénese, ela continuou sendo usada para explicar o surgimento de microorganismos. Muitos acreditavam que esses organismos surgiam espontaneamente, sem a necessidade de vida pré-existente. Entretanto, essa visão só foi desafiada e refutada de forma conclusiva com os experimentos de Louis Pasteur.
Em 1862, Pasteur realizou um experimento em que colocou caldo de carne em um frasco com um gargalo longo e retorcido, conhecido como "pescoço de cisne". Ele ferveu o caldo, permitindo que o ar circulasse pelo gargalo, mas as impurezas ficaram retidas na curva. O caldo permaneceu livre de microorganismos até que o gargalo foi quebrado, permitindo a entrada de partículas suspensas no ar, o que resultou na proliferação de microorganismos. Esse experimento confirmou que seres vivos só surgem de outros seres vivos preexistentes.
Síntese
Actualmente, a biogénese é a teoria aceita pela ciência. Ela afirma que, embora os primeiros seres vivos tenham surgido de forma espontânea em um ambiente primitivo, nas condições atuais da Terra, a vida só pode se perpetuar através da reprodução de organismos já existentes. Contudo, a biogénese levanta outra questão: como surgiram os primeiros seres vivos na Terra? Essa é uma pergunta que ainda buscamos responder.



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